Quarentena à devira

O confinamento de trabalhadores em navios de cruzeiros está gerando protestos, greve de fome e até suicídios


Estamos inevitavelmente sendo bombardeados por muitas notícias neste período de quarentena e em meio aos fatos apresentados está a paralisação das atividades dos navios de cruzeiro. Os barcos de diferentes companhias encontram-se atracados em portos pelo mundo abrigando milhares de tripulantes que não puderam voltar para seus países de origem, já que foram proibidos de embarcar em voos comerciais através de ações governamentais que visam impedir a propagação do Covid-19.


Uma boa notícia é que na última semana houve uma mega operação, gerada após um acordo entre governos, e os brasileiros que estavam confinados a bordo dos 27 navios da Norwegian Cruise Line conseguiram regressar ao Brasil.


Primeiramente, nesta mega operação, todos eles foram transferidos pelo mar e ficaram instalados em um único barco e após algumas semanas embarcaram em um voo fretado que os trouxe de volta.


Dentre estes brasileiros estava o bailarino Felipe Torquatto (34). Natural de São Paulo, Felipe seguia em seu primeiro contrato com a empresa Norwegian, quando em treze de março, enquanto o navio encontrava-se atracado no porto de Miami, foi surpreendido, assim como o restante da tripulação e os passageiros, com uma ordem de suspensão de atividades vinda do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Segundo Felipe, o temor pelo que iria ocorrer dali em diante tomou conta de todos. “...uma sensação de pavor, espanto, de um minuto para o outro não sabíamos nada do que iria acontecer nos próximos dias, quais seriam os procedimentos mediante o problema.”, relata o brasileiro.


Duas semanas após a paralisação das atividades, os salários foram suspensos, a tripulação entrou em um sistema de distanciamento social. Cada um foi acomodado isoladamente em uma cabine, passaram a serem proibidas atividades em grupo e obrigatório a higienização das mãos e checagem da temperatura a cada refeição, tudo supervisionado pela segurança do navio e passível de advertência.


Todas estas regras de prevenção ao Covid-19 juntamente com a demora para conseguirem voltar para casa gerou um alto nível de desgaste emocional entre a tripulação. Felipe diz que ficou muito abalado psicologicamente. “As vezes eu tinha a sensação que iria enlouquecer.”, confessa ele. O brasileiro ainda cita os suicídios que estão ocorrendo nos barcos. “Há registros de tripulantes de diferentes companhias que se mataram por conta desse processo.”, relata o bailarino, que felizmente está em casa agora.


Questionado sobre seus planos pós pandemia, Felipe diz que ainda é cedo para falar sobre isso, mas pretende retomar o contrato com a Norwegian. “Não sabemos como isso irá progredir, mas quero retomar ao meu trabalho.”, conta o bailarino.


Após quatorze anos atuando como profissional da dança, Felipe Torquatto atuou em cias de dança (Cia Ivaldo Bertazzo e Grupo Raça), em produções televisivas da Globo (Amor & Sexo e Faustão), dançou na “Biblioteca do Corpo”, projeto do atual diretor do Ballet da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo, na Itália e passou pelas companhias de cruzeiros Pullmantur, Royal Caribbean e Star Cruise, além da Norwegian Cruise Line.

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